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Somos 20 milhões com fome. Talvez mais.

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Postado em 13/10/2021 por

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Além disso, o número de favelas no país mais que dobrou em dez anos

Mais que um tema da campanha eleitoral de 2022, o aumento da pobreza é um problema real e imediato. Segundo levantamento da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), 20 milhões de brasileiros passam um dia ou mais sem ter o que comer. Além disso, o número de favelas no país mais que dobrou em dez anos. (Folha)

Na classe média, o drama econômico toma outra forma: o endividamento das famílias atingiu um nível recorde. Com os juros de bancos em níveis extorsivos — eles nunca de fato diminuíram apesar de o BC ter reduzido os seus —, em média as dívidas que as famílias pagam correspondem a 59,9% de suas rendas anuais. Quase 60%. Em agosto, de acordo com o Banco Central, em média a renda das famílias cruzou os 30% de comprometimento para pagar parcelas de empréstimos, cartões de crédito e o que for. A inflação nos alimentos e na energia ajuda a aumentar a pressão sobre o orçamento familiar e aponta para uma crise econômica. Mesmo que o PIB torne a crescer, a possibilidade de um brasileiro tornar às lojas aquecendo o consumo são pequenas. (Globo)

E as perspectivas não são das melhores. A regras do Auxílio Brasil, programa assistencial visto como trunfo eleitoral do governo Bolsonaro, congelam ou mesmo reduzem o benefício de 5,4 milhões de famílias que hoje recebem o Bolsa Família. São 37% dos atuais beneficiários. (Estadão)

2022 não será fácil.

Ontem era Dia de Nossa Senhora Aparecida, feriado nacional. Mesmo com as restrições impostas pela covid-19, dezenas de milhares de romeiros viajaram para o santuário em Aparecida do Norte (SP), que foram fechadas no ano passado. A missa solene, celebrada pela manhã, é provavelmente o mais importante evento da Igreja Católica brasileira. E foi palco para algumas das mais incisivas críticas às políticas do governo Bolsonaro feitas por autoridades eclesiásticas. Durante a homilia, o arcebispo Dom Orlando Brandes fez uma defesa enfática da ciência contra a pandemia, defendeu a vacinação, lembrou dos povos indígenas, dos negros e nos pobres e não se permitiu meias palavras: “Para ser pátria amada não pode ser pátria armada”, desejando que o Brasil, “seja uma pátria sem ódio, uma República sem mentira e fake news”. Bolsonaro não ouviu ao vivo as críticas. Chegou na parte da tarde entre aplausos e vaias e assistiu a outra missa, fazendo uma breve leitura. Embora menos incisiva que a de Dom Orlando, a homilia da tarde também tocou em temas incômodos para o presidente, como a pobreza e, mais uma vez, a covid-19. Na saída, Bolsonaro tirou a máscara e provocou aglomeração em meio a fiéis. (g1)

Com a popularidade em baixa, mas estável, o que indica manutenção de seu eleitorado de extrema-direita, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem buscado estreitar seus laços com o agronegócio e com evangélicos. A avaliação é que esses grupos têm capacidade de mobilização e controle de suas bases e vêm sendo alvo de aproximação por parte do ex-presidente Lula (PT). A indicação de André Mendonça para uma vaga no STF, ora emperrada no Senado, busca sacramentar esse laço com os líderes neopentecostais. Já os ruralistas vem sendo afagados com o afrouxamento das regras e da fiscalização ambientais. (Folha)

O caso de Mendonça acirra a briga dos evangélicos com ala política do governo, leia-se Centrão. O pastor Silas Malafaia, bolsonarista de primeira hora, publicou um vídeo atacando o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, por uma suposta movimentação de bastidores para emplacar outro nome no Supremo. Passando o feriado no seu Piauí, Nogueira disse que “falta informação a esse pastor”. “Sou um auxiliar do presidente da República e toda a sua determinação será cumprida sempre”, afirmou o ministro. (Poder360)

Enquanto isso… Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente do Senado, confidenciou a aliados que pretende segurar a sabatina de Mendonça até 2023, quando, a menos que Bolsonaro se reeleja, a indicação será trocada pelo futuro presidente da República. (CNN Brasil)

Painel: “Enquanto negociam a filiação de Jair Bolsonaro, dirigentes do PP discutem a possibilidade de formar uma federação com o PL para disputar as eleições de 2022. A ideia com a união é robustecer a bancada no Congresso e fortalecer a sigla para reeleger o presidente. Um dos empecilhos para a aliança é, justamente, a possível chegada de Bolsonaro. O PL tem muitas divisões internas e alguns grupos do partido têm sinalizado interesse em apoiar o ex-presidente Lula (PT).” (Folha)

Meio em vídeo. Estamos há um ano das eleições e o tabuleiro político do Brasil, além de não estar totalmente claro, tem muitas variantes que podem mudar o jogo ao longo do ano. Quais as chances reais da direita ou esquerda ou até mesmo centro ganhar o pleito em 2022? Para que lado vão os que anularam em 2018? Os eleitores evangélicos são um bloco tão monolítico quanto se diz? No Conversas com o Meio, Celso Rocha de Barros, sociólogo, Doutor por Oxford e colunista da Folha, ajuda a entender o tabuleiro que se monta para as eleições do ano que vem. (YouTube)

O Executivo, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que rejeite uma ação movida pelo PDT para que o presidente da Câmara, Artur Lira (PP-AL), seja obrigado a dar algum destino aos quase 200 pedidos de impeachment do presidente Jair Bolsonaro que estão em sua gaveta. Na avaliação da AGU, conta Lauro Jardim, a Constituição não fixou prazos para a análise dos pedidos e o impeachment é um processo político a cargo do Legislativo, não cabendo interferência dos demais Poderes. (Globo)

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Viver

Sem esquecer os mais de 600 mil mortos pela covid-19, há um número a ser comemorado. A taxa de transmissão da doença no Brasil é, no momento, a menor desde que a medição começou a ser feita pelo Imperial College de Londres. O indicador está em 0,6, ou seja, cada dez pessoas contaminadas passam vírus para outras seis, o que aponta para uma retração na disseminação da doença. (UOL)

Num outro indicador dessa tendência, a média móvel de mortes em sete dias ficou em 367 nesta terça-feira. Mesmo lembrando que feriados prolongados e fins de semana implicam subnotificação, é a primeira vez que a média fica abaixo de 400 desde 12 de novembro. Foram registradas 179 mortes, elevando o total a 601.442 desde o início da pandemia. (g1)

E a Europa segue levando muito a sério a pandemia. Na sexta-feira entra em vigor na Itália a exigência de certificado sanitário para todos os trabalhadores, públicos e privados. Só terão acesso aos locais de trabalho quem estiver vacinado, tiver se curado de covid-19 ou apresentar teste negativo com menos de 48 horas. Já a Inglaterra cancelou, pelo segundo ano consecutivo, a tradicional queima de fogos de Ano Novo no Tâmisa. (UOL)

Enquanto isso… Os EUA sofrem com o negacionismo conservador. O governador republicano do Texas, Greg Abbott, baixou decreto proibindo empresas e órgãos públicos de exigirem vacinação de seus empregados ou clientes. (CNN Brasil)

Ontem completaram-se 90 anos da inauguração do Cristo Redentor, um dos mais conhecidos cartões postais do país e símbolo do Rio de Janeiro. A Casa da Moeda lançou uma linha de medalhas comemorativas em ouro, prata e uma liga de cobre e níquel. Veja algumas curiosidades sobre o monumento. (g1)

A princesa-herdeira da Holanda, Catharina-Amalia, de 17 anos, pode se casar com outra mulher sem perder o direito ao trono, disse o primeiro-ministro Mark Rutte. Não que ela tenha manifestado interesse; a jovem, como o resto da família real, é extremamente discreta em relação à vida íntima. O premiê fez o comentário após um livro questionar se o casamento homossexual, legal no país desde 2001, valeria para um/uma monarca, uma vez que não produziria filhos biológicos do casal. Vale lembrar que o casamento real na Holanda, mesmo heterossexual, não é algo simples. O noivo ou noiva tem de ser aprovado pelo Parlamento. (Globo)

Cultura

Teatrólogo e romancista premiado, sem contar a vastidão de sua obra musical, Chico Buarque abre aos 77 anos uma nova frente na literatura com o lançamento, no próximo dia 22, de Anos de Chumbo e Outros Contos, sua primeira experiência em narrativas curtas. São contos indiscutivelmente políticos e que tratam do tema em vários níveis, a começar por Meu Tio, protagonizado por um tipo que todos nós conhecemos, a pessoa sem empatia ou respeito às regras sociais. São oito histórias fechadas em si e que aumentam ainda mais a dimensão literária de Chico. (Globo)

Aliás… Com revela Ancelmo Gois, Chico foi submetido ontem a uma cirurgia no Rio para colocação de placas e pinos para estabilizar vértebras. A recuperação é lenta e torcemos para que seja total. (Globo)

Pela primeira vez desde que foi lançada, em 1969, a clássica Brown Sugar (ao vivo no YouTube) está de fora do repertório dos Rolling Stones. Oficialmente, a empresa que gerencia os assuntos banda e Mick Jagger não comentam, mas Keith Richards, que escreveu a canção com Jagger, admite que há pressão politicamente correta. “Estou tentando entender com as irmãs (mulheres negras) qual é o problema. Não entendem que a música é sobre os horrores da escravidão? Mas estão tentando enterrar isso”, comentou. Brown sugar, açúcar mascavo, também era um apelido de heroína na época. (Folha)

Depois de se tornar a segunda mulher mais rica do Reino Unido, depois da rainha, graças a um bruxinho, J.K. Rowling aposta num porco para se manter no topo. Foi lançado mundialmente ontem Jack e o Porquinho de Natal, na qual ela vai buscar inspiração em Lewis Carroll e Charles Dickens, entre outros, para contar a história de um menino, Jack, que mergulha num mundo mágico para superar as perdas emocionais e físicas causas pela separação dos pais e a mudança de cidade. Em vez do coelho de Alice, é o porquinho de pelúcia que Jack deixou para trás que o leva para esse mundo de sonhos. Porém, ao contrário da obra de Carroll que subvertia a linguagem e questionava os ensinamentos das escolas vitorianas, a prosa de Rowling segue formal e sempre traz uma lição de moral. Vale lembrar que o universo de Harry Potter era, em si, altamente conservador. (Globo)

O último evento do ano da Apple já tem data marcada: 18 de outubro. Na ocasião, deve apresentar novidades de hardware, algumas delas muito esperadas, como o MacBook com tela Mini LED. Outra expectativa é que sejam anunciados um Mac Mini com design renovado e os novos AirPods 3. O evento começa às 14h de Brasília, e será transmitido pelo site da Apple e também pelo YouTube. (Olhar Digital)

E por falar… A companhia tem enfrentado dificuldades para produzir o iPhone 13 por conta da escassez global de chips. Sem atingir suas metas de fabricação planejadas, a Apple teria reduzido a produção em mais de 11%. (Bloomberg)

E uma possível nova delatora pode entrar no caso Facebook. Sophie Zhang trabalhou como cientista de dados na gigante da tecnologia por quase três anos e está disposta a testemunhar perante o Congresso americano sobre seu ex-empregador, disse ela à CNN no domingo. Ela afirmou que também repassou documentos sobre a empresa a uma das estruturas policiais, o FBI não confirma ter sido o recepiente. (CNN)

Meio em vídeo. A Twitch é a maior plataforma de streaming do mundo e leva milhares de pessoas a acompanhar todo tipo de live, desde games até batalhas de rap. Na última semana, houve um grande vazamento de dados, expondo os valores recebidos pelos maiores streamers. E a plataforma é palco de ataques de ódio e invasões de contas. Pedro Doria e Cora Rónai discutem os caminhos para resolver esses problemas. (YouTube)

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