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Sob pressão, Brasil adere a acordos climáticos

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Postado em 03/11/2021 por

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O gás corresponde a 17% das emissões causadoras do efeito estufa e é muito mais nocivo que o gás carbônico

A conferência da ONU sobre mudanças climáticas (COP26) vai até o dia 12, mas a participação de chefes de Estado terminou ontem com dois anúncios ambiciosos. E, para surpresa geral, o Brasil aderiu a ambos. O primeiro compromisso foi o corte em 30% de emissões de metano até 2030. O gás corresponde a 17% das emissões causadoras do efeito estufa e é muito mais nocivo que o gás carbônico. O acordo não é juridicamente vinculante, ou seja, não prevê punições a quem o descumpra, e China, Índia e Rússia ficaram de fora. (g1)

A adesão do Brasil não foi exatamente espontânea, mas resultado de uma intensa pressão dos EUA. Em 2020, o país emitiu 20,2 milhões de toneladas de metano, sendo 72% da agropecuária, e é forte a resistência no agronegócio a mudar as formas de criação do gado para manejos menos poluentes. Porém o presidente Joe Biden vê o acordo como um passo fundamental para acelerar a aprovação pelo Congresso americano de seu pacote por energia limpa. Biden criticou duramente Rússia e China por “virarem as costas” às questões climáticas. (Globo)

O segundo acordo – que contou com a adesão também da China – prevê zerar o desmatamento até 2030 com investimentos públicos e privados de US$ 19,2 bilhões. A participação do Brasil também surpreendeu, uma vez que, além de ir na contramão das políticas aplicadas pelo Ministério do Meio Ambiente, o acordo prevê a valorização dos povos indígenas, considerados mais eficientes na proteção das florestas. (BBC Brasil)

O alto escalão do Ministério da Agricultura brasileiro está preocupado com a parte do acordo que defende ênfase no comércio de commodities desvinculadas de desmatamento. O temor é de que os termos do texto sejam levados à Organização Mundial do Comércio e que isso prejudique as exportações do país. (Folha)

Confira os cinco pontos centrais para o Brasil em debate na COP26. (g1)

Outra surpresa vinda ontem da delegação brasileira foi o pedido de demissão do coordenador-executivo do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima, Oswaldo dos Santos Lucon. Nomeado por Jair Bolsonaro em maio de 2019, ele não deu qualquer explicação, dizendo apenas que continuaria em Glasgow como observador e só se manifestaria ao fim da conferência, no próximo dia 12. (Poder360)

O presidente do Brasil preferiu fazer turismo e política na Itália, mas o país foi bem representado na COP26. Na segunda-feira, Txai Suruí, de 24 anos, falou em nome dos povos indígenas no mesmo púlpito que líderes mundiais. Ela relatou a violência contra defensores da floresta. Em abril, o pai dela e outros líderes indígenas foram intimados a depor pela Polícia Federal por, supostamente, difamarem o governo. (CNN Brasil)

Os Estados Unidos começam ainda hoje a vacinar crianças acima de cinco anos com o imunizante da Pfizer. A autorização foi dada ontem pelo Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC, em inglês). No Brasil, onde sua vacina já é aplicada em adolescentes acima de 12 anos, a Pfizer pretende pedir à Anvisa a liberação para crianças de cinco anos ou mais. (Poder360)

Enfrentando o que classifica como “surtos pontuais” de covid-19, o governo chinês recomendou que a população estoque comida e outros itens essenciais, especialmente com a proximidade do inverno no Hemisfério Norte. Embora tenha aumentado as regras de isolamento em Pequim, a China nega a previsão de uma nova onda ampla da covid-19. (UOL)

Nesta terça-feira foram registradas 164 mortes por covid-19 no país, o que produziu uma média móvel em sete dias de 261 óbitos. Ainda que sob efeito da subnotificação em feriados, foi a segunda vez que a média ficou abaixo de 300 no ano. No total, 608.118 pessoas já morreram da doença no país. (g1)

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Desde o início da pandemia de coronavírus, muitos profissionais adotaram o modelo de trabalho remoto, impulsionando novas tendências para o futuro do trabalho. Agora, as empresas criaram novos modelos de trabalho, como o híbrido, e espaços físicos para o retorno aos escritórios. Entretanto, um estudo da Universidade de São Paulo (USP) mostrou que 70% dos profissionais gostariam de continuar trabalhando em casa. Diante disso, o novo desafio para as organizações, especialmente para o RH, é entender como implementar essas novas formas de trabalho e criar dinâmicas de escritório que façam sentido para o novo profissional do novo normal. Veja como começar.

Uma pesquisa da consultoria United Minds buscou entender quais são os fatores mais importantes na experiência das pessoas (EX) dentro das organizações. O estudo, feito com 3 mil trabalhadores de sete países, apontou que um dos fatores determinantes na relação com as empresas tem a ver com justiça, mais especificamente os tratamentos desiguais recebidos nas organizações. A pesquisa mostra que um em cada três funcionários já sofreu algum tipo de tratamento injusto, incluindo discriminação e assédio. (Época Negócios)

Quanto mais em alta o mercado de tecnologia, mais difícil tem sido a contratação de profissionais com as qualificações exigidas pelas empresas. Por isso, o setor tem investido na atração de talentos experientes e na formação de novos profissionais, fazendo a ponte com o emprego e ajudando a levar diversidade aos times. O movimento é importante para o Brasil, uma vez que o país vai precisar de 70 mil profissionais de tecnologia por ano até 2024. (Estadão)

Há uma dupla luz amarela acesa no Palácio do Planalto. O Executivo montou uma força-tarefa para garantir a aprovação da PEC dos Precatórios, considerada fundamental para viabilizar o Auxílio Brasil de R$ 400 e prevista para ir a plenário hoje. Tanto quanto aprovar a medida, o governo quer resgatar a liderança do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), trincada pela derrota da PEC da Vingança. Temendo novo revés, governistas pressionam Lira e retomar as votações remotas. Para ele, porém, o recuo nas votações presenciais seria um sinal de fraqueza. (Globo)

A estratégia dessa força-tarefa é o jogo bruto onde os deputados são mais sensíveis: a verba. De um lado, os parlamentares cobram a liberação de suas emendas ao Orçamento, de outro, o governo ameaça congelar até o pagamento das emendas impositivas, cuja execução é obrigatória. (Folha)

Como é praxe em visitas de chefes de Estado brasileiros à Itália, o presidente Jair Bolsonaro esteve em Pistoia para homenagear os mais de 450 pracinhas mortos durante a Segunda Guerra Mundial. A visita, porém, atraiu críticas por Bolsonaro convidar para o evento Matteo Salvini, líder do partido italiano ultradireitista Liga Norte. Embora ambos tenham imensa afinidade ideológica, é importante lembrar que a FEB foi mandada à Itália combater a ultradireita alemã e italiana. (Folha)

A visita de Bolsonaro à Itália, ignorando a COP26, já provocara confusão na segunda-feira, quando ele visitou Pádua. A polícia teve que usar jatos de água para dispersar manifestantes contra o presidente. (g1)

O governador de São Paulo, João Doria, sofreu um revés sério nas prévias do PSDB para as eleições do ano que vem. A comissão que coordena a eleição interna excluiu 92 prefeitos e vices paulistas da lista de votantes, embora eles possam recorrer. Aliados do governador gaúcho Eduardo Leite, rival de Doria nas prévias, acusam o diretório paulista de fraudar as datas de filiação desses políticos para que eles tivessem direito a voto. (CNN Brasil)

O apresentador José Luiz Datena aviou ao PSL que está trocando o partido, onde era tido como presidenciável, pelo PSD de Gilberto Kassab. O movimento é visto como um fortalecimento da candidatura do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-SP), ao Planalto, com Datena concorrendo ao Senado por São Paulo e Geraldo Alckmin, que ainda não se filiou ao PSD, tentado voltar ao Palácio dos Bandeirantes. (Estadão)

Meio em vídeo. Nesta edição do Conversas com o Meio o jornalista Thomas Traumann faz uma análise do jogo político para as próximas eleições. Três candidatos estão definidos e sabemos quem são, mas para Thomas existe um quarto candidato com chances reais de chegar a um segundo turno. (YouTube)

Mais Meio em vídeo. Sérgio Moro prepara sua candidatura e a direita brasileira vai entrar em guerra civil no início do ano que vem. Confira o Ponto de Partida. (YouTube)

Um republicano moderado, Glenn Youngkin, venceu as eleições para governador da Virgínia, um estado que os democratas vinham controlando nos últimos anos. Em Nova Jersey, a disputa entre os dois partidos estava ainda tão apertada no fechamento desta edição, com 88% dos votos apurados, que não era possível definir o vencedor. Não são bons resultados para o governo Biden. (New York Times)

Dizer que a morte do pianista Nelson Freire, aos 77 anos, na madrugada de segunda-feira foi uma perda para a cultura brasileira seria uma simplificação grosseira. A concussão causada por um acidente doméstico no Rio de Janeiro privou o mundo de um dos maiores pianistas eruditos do século 20. Para quem não conhece sua arte, oito performances confirmam nossa afirmação – com destaque para um registro de 1965, onde Freire brilhava com apenas 21 anos (YouTube). Mineiro de Boa Esperança, Freire se revelou um prodígio na infância, fazendo a família se mudar para o Rio quando ele tinha cinco anos, em busca de professores à altura de seu talento. Com 12 anos, ganhou uma bolsa do governo brasileiro para estudar em Viena, na Áustria e dali em diante conquistou público e crítica, a ponto de ser chamado pela revista Time de “um dos maiores pianistas desta ou de qualquer outra geração”. Os últimos anos de Nelson, porém, foram tristes. Em 2019 ele sofreu uma queda na qual fraturou o braço direito. Segundo amigos, o artista achava que não voltaria a tocar e estava cada vez mais deprimido. (Globo)

Mas ouvir Nelson Freire tocar não resume completamente tudo o que ele era como artista. Essa dimensão está presente no documentário homônimo dirigido em 2003 por João Moreira Salles, disponível na Globoplay. (Folha)

O corpo de Freire foi velado ontem no Theatro Municipal do Rio, com direito a apresentações de músicos da orquestra da casa em sua homenagem. À tarde, ele foi levado para ser sepultado em sua cidade natal. (Estadão)

Enquanto isso… Comandada por um ex-galã de Malhação, o secretário Mario Frias, e um ex-PM, o secretário de Fomento e Incentivo André Porciúncula, a Secretaria Nacional de Cultura não emitiu uma linha de pesar pela morte de Nelson Freire. Como conta Lauro Jardim, coube ao Itamaraty, que já chegou à pedra polida, se manifestar. (Globo)

Nova aposta da Marvel no filão de anti-heróis, que já rendeu o sucesso VenomMorbius, estrelado por Jared Leto ganhou mais um trailer (YouTube). Leto faz um médico que sofre de uma doença no sangue e, na busca de uma cura para ele e várias criancinhas, ganha superpoderes. A parte ruim é que ele vira um vampiro. Embora tenha laços com os últimos filmes do Homem-Aranha e do supracitado Venom, Morbius não deve integrar oficialmente o universo cinematográfico da Marvel. (Omelete)

A Netflix anunciou ontem a chegada oficial de games no aplicativo para seus assinantes em todo o mundo, inclusive em território brasileiro. Os jogos poderão ser rodados em aparelhos Android – smartphones e tablets –, e vão aparecer a partir de hoje. Por enquanto, serão apenas cinco jogos liberados, sendo dois deles já existentes no mercado e baseados no fenômeno Stranger Things. Segundo a empresa, o novo serviço não implicará em um aumento na mensalidade atual ou no aparecimento de anúncios no app. (Folha)

Meio em vídeo. A partir deste mês os voos domésticos pela Delta vão mudar, o seu rosto será usado para fazer o check-in sem precisar de cartões de embarque. Pedro Doria e Cora Rónai comentam o quanto a aviação mudou. (YouTube)

E um ataque ao aplicativo de delivery do iFood mostrou capturas de tela que circularam nas redes com nomes de restaurantes trocados por ofensas políticas. Ainda não se sabe se houve invasão aos sistemas ou se o ataque foi interno. (TecMundo)

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