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Debate sobre reforma trabalhista gera mal-estar entre Lula e Alckmin

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Postado em 11/01/2022 por

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O ex-governador teria concordado com Paulinho que a reforma brasileira precisa de ajustes pontuais

Gente na cúpula do PT teve de se mexer, nos últimos dias, para desfazer um mal-estar com o candidato a vice de Lula, Geraldo Alckmin. O ex-governador de São Paulo Geraldo procurou nos últimos dias o deputado Paulinho da Força, presidente do Solidariedade. Segundo o que foi noticiado, buscava informações sobre a revisão da reforma trabalhista na Espanha, que foi elogiada pelo petista. Segundo o parlamentar, entidades patronais preocupadas com a possibilidade de um futuro governo do PT rever trechos ou toda a reforma trabalhista aprovada por Michel Temer em 2017, recorreram a Alckmin. O ex-governador teria concordado com Paulinho que a reforma brasileira precisa de ajustes pontuais. Mas a conversa entre os dois foi percebida como uma sinalização de atrito importante. (Metrópoles)

Então… Após o encontro entre Paulinho e Alckmin ser divulgado, petistas que defendem o nome do ex-tucano como vice fizeram chegar até ele informações para “desfazer o mal-estar”. A interpretação acertada entre as partes foi de que Lula defende um diálogo entre sindicatos, empresários e governo em busca de entendimentos. Hoje, o ex-presidente se reúne com sindicalistas, economistas e representantes do governo da Espanha em São Paulo para discutir as mudanças que estão sendo feitas na legislação espanhola. (Folha)

Correndo por fora, petistas contrários à aliança com Alckmin iniciaram um abaixo-assinado na internet, revela o Painel. Eles dizem que o ex-governador “tem uma longa trajetória de combate às posições nacionais, democráticas, populares e desenvolvimentistas”. Até agora, 547 pessoas já assinaram, incluindo os ex-presidentes do PT Rui Falcão e José Genoíno. (Folha)

Aliás… Segundo o Radar, Lula deve aproveitar o aniversário de 42 anos do PT, em 10 de fevereiro, para anunciar oficialmente sua candidatura ao Planalto. O cenário escolhido deve ser Belo Horizonte. Antes disso, fará mais uma viagem internacional, com parada no México e em algum outro país simbólico para o partido. (Veja)

Jair Bolsonaro comentou ontem a nota divulgada pelo almirante-médico Antonio Barra Torres, diretor-presidente da Anvisa, na qual este reagiu às insinuações de corrupção na agência afirmando que, se o presidente dispunha de indícios contra ele, que abrisse uma investigação. Reclamando do tom agressivo da nota, Bolsonaro disse em entrevista a uma rádio que “ninguém acusou ninguém de corrupto”. Na semana passada, também numa entrevista, ele indagou “quais os interesses da Anvisa” na liberação de vacinas para crianças. Pois ele voltou à carga, dizendo que é comum ver agências “criando dificuldades para se vender facilidades”. (Globo)

Enquanto isso… Generais buscam blindar o comandante do Exército, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, que irritou Bolsonaro ao publicar diretrizes de combate à covid-19 determinando vacinação e proibindo divulgação de notícias faltas. O ministro da Defesa, Walter Braga Neto, levou a insatisfação do presidente a Oliveira, que cogitou soltar uma nota explicativa. Os generais descartam a ideia, dizendo que as diretrizes são um documento burocrático, que dispensa explicações. (Folha)

Diante da má repercussão de seu encontro nos EUA com o blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, que é considerado foragido pela Justiça brasileira, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, disse que não sabia da presença do ativista e que não teria ido se soubesse. Segundo Ricardo Noblat, é mentira. Faria, diz ele, não apenas sabia, como teria consultado previamente o presidente Jair Bolsonaro, que deu sinal verde para o encontro. Santos teve a prisão decretada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes em outubro, a pedido da PF. O blogueiro é acusado de integrar uma milícia digital criada para atacar autoridades, opositores do governo e as instituições da República, como o próprio STF. (Metrópoles)

Aliás… Moraes prorrogou por mais 90 dias o inquérito que investiga essa milícia. Segundo escreveu o ministro em julho, na abertura do inquérito, há indícios de “uma organização criminosa voltada a promover diversas condutas para desestabilizar e, por que não, destruir os Poderes Legislativo e Judiciário a partir de uma insana lógica de prevalência absoluta de um único poder nas decisões do Estado”. (Poder360)

Enquanto isso… Bolsonaro disse ontem, em entrevista, não admitir a ideia de ser banido de rede sociais durante a campanha eleitoral por divulgação de notícias falsas. Segundo ele, a medida seria jogar “fora das quatro linhas” da Constituição. O presidente voltou a criticar a cassação pelo TSE do deputado estadual Felipe Francischini (PSL-PR), seu apoiador, por divulgar fake news contra as urnas eletrônicas durante a eleição de 2018. (Globo)

Meio em vídeo. De um lado, um país dominado por uma elite quase feudal, que condena a sociedade ao atraso e que só um Estado forte pode resolver. Do outro, um país controlado por uma burocracia muito além da razoável e um Estado que, por querer fazer tudo, nada faz direito enquanto atrapalha a sociedade. Qual a sua visão de Brasil? A partir das ideias do cientista político Christian Lynch, dá para fazer o desenho do que são as ideologias políticas brasileiras. Confira no Ponto de Partida. (YouTube)

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Viver

O Ministério da Saúde anunciou ontem a redução de dez para cinco dias do período mínimo de isolamento de pacientes com covid-19 em casos assintomáticos, com exigência de teste no final do período. Para os casos leves ou moderados, o prazo é de sete dias, com a opção de um teste no quinto dia. Se chegarem ao sétimo dia sem sintomas, esses pacientes podem deixar o isolamento; se não, devem fazer um teste e, em caso de resultado positivo, estender a quarentena até os dez dias previstos anteriormente. (g1)

A medida não é vista com bons olhos pelos especialistas. O presidente da Sociedade Paulista de Infectologia, Carlos Fortaleza, diz que a redução não sentido, já que o “pico da transmissibilidade acontece, justamente, entre o quinto e o sexto dia após o diagnóstico positivo”. (CNN Brasil)

Em outra frente, o ministério vai pedir à Anvisa a liberação no Brasil do autoteste de covid-19. A pasta vai enviar uma nota técnica à agência alegando que o exame servirá como “ferramenta de apoio”, sem substituir outros testes. Usado em outros países, o autoteste é proibido no Brasil, dada a chance de erro por pacientes não treinados. (Estadão)

E por falar… São Paulo aguarda a resposta a um pedido feito à Anvisa no dia 15 de dezembro para liberar o uso da CoronaVac em crianças e adolescentes entre três e 17 anos. Com vacinas em estoque, o governo estadual diz que pode aplicar a primeira dose em toda essa faixa em dez dias. (Folha)

Enquanto isso… Lauro Jardim nos conta que a Escola Americana, onde estuda parte da elite financeira carioca, anunciou a exigência de comprovante de vacinação de todos os alunos até 14 dias depois da data da segunda dose para que continuem no ensino presencial. Pais organizaram um abaixo-assinado que já conta com 112 nomes dizendo que a instituição não tem “o direito moral ou a competência médica para compelir os pais a vacinarem suas crianças”. (Globo)

A polícia de Minas Gerais divulgou ontem os nomes das cinco vítimas da tragédia em Capitólio que faltavam ser identificadas: Carmem Pinheiro da Silva, de 43 anos; Geovany Teixeira da Silva, de 37 anos; Geovany Gabriel Oliveira da Silva, 14 anos, Thiago Teixeira da Silva Nascimento, 35 anos e o piloto da lancha Rodrigo Alves dos Anjos, 40 anos. Eles e outras cinco pessoas morreram quando uma rocha se desprendeu do paredão no Lago de Furnas e desabou sobre barcos de turismo no sábado. O governador de Minas, Romeu Zema, disse que os cânions de Capitólio passarão por uma análise de geólogos antes que o turismo na região seja liberado. (g1)

E as chuvas que ajudaram a provocar a tragédia de Capitólio e outros desastres em Minas deve continuar ao longo da semana no Sudeste. Paralelamente, o Sul deve experimentar temperaturas extremas, com risco para a saúde e a agricultura. (Globo)

O casamento entre pessoas do mesmo sexo é aprovado por 45% dos brasileiros, enquanto 39% são contra, segundo pesquisa do PoderData. O resultado representa um retrocesso, já que, há um ano, os números eram 51% a favor e 33% contra. A maior aprovação é no Nordeste (52%) e a maior reprovação no Centro-Oeste (60%). (Poder360)

Panelinha no Meio. O ano que começa já se anuncia intenso. Então vamos para uma receita que, como diziam as vovós, “dá sustança”, mas com uma mudança que vem lá da Bahia. É o feijão preto com leite de coco, que dá uma ligeira adocicada ao prato. O refogado não leva alho, e sim uma quantidade generosa de coentro.

Cultura

O ex-PM André Porciúncula, ora secretário de Fomento e Incentivo da Secretaria Especial de Cultura, anunciou nesta segunda-feira, via redes sociais, o estabelecimento de um teto de R$ 10 mil reais para aluguel de teatros em projetos beneficiados pela Lei Rouanet. No sábado, ele já disse que os cachês desses projetos seriam limitados a R$ 3 mil, o que representa um corte de 93%. Além disso, na semana passada, a secretaria anunciou a redução em 50% do teto de captação pelo programa. “A situação já passou do limite da maldade. O desmonte da Rouanet faz lógica dentro do atual desmonte do Brasil. O governo quer tirar o acesso da sociedade à cultura, às artes e à educação”, diz Eduardo Barata, presidente da Associação dos Produtores de Teatro (APTR). (Globo)

E mais uma notícia ruim para a cultura brasileira. Segundo a coluna de Ancelmo Gois, o acervo de Naná Vasconcelos (1944-2016), um dos maiores percussionistas do mundo, vencedor de oito Grammys, vai para um depósito. Patrícia, viúva do músico, vai a alugar a casa onde ele morou a vida inteira, no Recife. (Globo)

E morreu ontem, aos 96 anos, italiana Vanna Piraccini, que fundou com o marido, em 1952, a Livraria Da Vinci, uma das bases da intelectualidade carioca por décadas, homenageada por Drummond no livro As Impurezas do Branco, de 1973. (Globo)

Por incrível que pareça, a vencedora do Nobel de Literatura em 1993, Toni Morrison (1931-2019), tinha um conto esquecido. Famosa pelos romances, ela produziu também textos em outros formatos. Foi o caso do conto Recitatif, publicado numa coletânea de autoras afro-americanas em 1983, fora de catálogo desde então. O texto, que narra a vida interligada de duas mulheres (uma branca e uma negra, mas não sabemos qual é qual) desde a infância, vai finalmente ser publicado como livro. (Estadão)

E uma grande notícia nos chega via Mônica Bergamo. Zé Ramalho (Spotify) prepara finalmente um novo álbum de canções inéditas. Desde Sinais dos Tempos (Spotify), de 2012, o profeta paraibano vinha se dedicando a revisitar clássicos como Avohai (Spotify) e Jardim das Acácias (Spotify) em coletâneas e gravações ao vivo e a covers de outros artistas, incluindo até Motörhead (não acredita, ouça Ás de Espadas, com o sempre ótimo Robertinho de Recife). Ateu Psicodélico – o nome foi emprestado do Mutante Arnaldo Baptista – trará canções compostas por Zé ao longo da pandemia, mas ainda não tem data de lançamento. (Folha)

Morreu em São Paulo, aos 61 anos, o ator e humorista Ivanildo Gomes Nogueira, o Batoré, que fez novelas na TV Globo e o humorístico A Praça é Nossa. Ele sofria de câncer. (g1)

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