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Planalto veta dinheiro para minorias e libera para polícia e políticos

Postado em 24/01/2022 por

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O controle de desmatamento perdeu R$ 8,5 milhões. Não houve veto à verba de R$ 1,7 bilhão para reajuste da área de segurança nem ao Fundo Eleitoral de R$ 4,9 bilhões

O presidente Jair Bolsonaro sancionou na noite de ontem, com vetos, o Orçamento da União, aprovado pelo Congresso. Os cortes, detalhados somente hoje no Diário Oficial da União, atingem principalmente as áreas de pesquisa, educação, saúde, sustentabilidade e proteção a povos indígenas e quilombolas. A Fiocruz, por exemplo, perdeu R$ 11 milhões que iriam para pesquisa e desenvolvimento tecnológico em saúde. Já o programa de saneamento básico rural teve corte de R$ 40 milhões. O controle de desmatamento perdeu R$ 8,5 milhões. Não houve veto à verba de R$ 1,7 bilhão para reajuste da área de segurança nem ao Fundo Eleitoral de R$ 4,9 bilhões.

O poder exercido pelo Centrão dentro do governo pode ser medido em números. Ao longo de 2021, o Executivo liberou R$ 25,1 bilhões em emendas de parlamentares no Orçamento da União, o maior volume já liberado, com uma alta de R$ 1,4 bilhão em relação ao ano anterior, descontada a inflação. Desses, R$ 10,43 bilhões saíram via “orçamento secreto”, principal ferramenta do governo Bolsonaro para fidelizar sua base no Congresso. Partidos como PL, PP e Republicanos receberam cerca de 70% da verba prevista no Orçamento, enquanto legendas de oposição, como o PSOL (31%) ficaram à míngua. Para se ter uma ideia da disparidade, o valor total de emendas liberadas em 2019, antes de o presidente voltar para o Centrão, ficou em R$ 9,98 bilhões. Para 2022 estão previstos R$ 37 bilhões em emendas, e Bolsonaro entregou ao ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, principal nome do Centrão no Governo, o poder de vetar cortes no Orçamento feitos pela área econômica. (Estadão)

A tentativa do TCU de saber os ganhos do ex-ministro Sérgio Moro (Podemos) no período em que trabalhou para a consultoria americana Alvarez&Marsal esbarra em precedentes do STF. Advogados da empresa usam três decisões do Supremo segundo as quais o TCU não pode pedir documento que levem à quebra de sigilos em relações privadas. Empresas condenadas por Moro na Lava-Jato respondem pela maioria dos lucros da consultoria na área de recuperações e falências no Brasil, e há suspeita de conflito de interesses. (Folha)

Empenhado em sair de um incômodo quarto lugar nas pesquisas, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) disse ontem que está estudando com sindicatos uma “nova geração” da Reforma Trabalhista que leve em conta novas atividades, o home office etc. “Mas nunca a direção pode ser a precarização do trabalho, como essa que foi feita”, afirmou. Em entrevista à Band News, ele também prometeu acabar com a “dolarização da Petrobras”, fez acenos à Rede de Marina Silva e ainda acusou o presidente Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Lula (PT) de estarem “combinando” fugir dos debates eleitorais. (Poder360)

Pode ser só intriga de Ciro, claro, mas, segundo o Painel, o PT tem questionado a quantidade de debates previstos para este ano. Os dirigentes do partido defendem que empresas de comunicação formem pools, alegando que o grande número de debates deixa menos tempo para a campanha. (Folha)

Os líderes evangélicos ainda não esqueceram o boicote do presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), à indicação de André Mendonça ao STF. E preparam uma vingança. Eles querem que a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, saia candidata ao Senado pelo Amapá este ano, de forma a impedir a reeleição de Alcolumbre. Em redes sociais, ela reagiu bem à ideia. (Folha)

Para ler com calma. No sábado comemorou-se o centenário de um dos mais importantes nomes da esquerda brasileira, o ex-governador Leonel Brizola (1922-2004), fundador do PDT. Bernardo Mello Franco resgata um depoimento dado por ele em 1996, no qual lembra a extrema pobreza da infância e como foi salvo pela educação. Alfabetizado pela mãe, conseguiu entrar numa escola formal em troca de trabalho como faxineiro. “Brizola não desperta mais as críticas apaixonadas do passado. Até adversários o reconhecem como o político brasileiro mais identificado com a causa da educação.” (Globo)

Diante do temor crescente de uma invasão russa à Ucrânia, os EUA determinaram que as famílias dos funcionários de sua embaixada em Kiev deixem o país. Moscou nega a intenção de invadir o país vizinho, mas mobilizou tropas ao longo da fronteira e classifica como ameaça a aproximação entre a Ucrânia e a Otan. E a dependência do gás fornecido pela Rússia já divide a aliança militar do Ocidente. O chanceler alemão, Olaf Scholz, pediu “prudência” na aplicação de sanções a Moscou no caso de a invasão acontecer. (CNN Brasil)

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Viver

Os senadores da CPI da Covid, que hoje formam um grupo para acompanhar os desdobramentos das investigações, pretendem nos próximos dias chamar para depor Hélio Angotti Neto, secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde do Ministério da Saúde. Na sexta-feira, ele publicou uma nota técnica barrando as diretrizes aprovadas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema de Saúde (Conitec). Na contramão de virtualmente toda a comunidade científica, Angotti defendeu a eficácia do chamado “kit-covid” e questionou as vacinas contra a doença. O senador Humberto Costa (PT-PE), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Casa, avisou que vai apresentar a convocação do secretário, e ele deve ser chamado em outras duas comissões. No ano passado, Angotti teve o indiciamento pedido pela CPI por epidemia com resultado de morte (artigo 267 do Código Penal) devido a sua defesa de tratamentos ineficazes. (Metrópoles)

Em resposta a Angotti, um grupo de professores da Faculdade de Medicina da USP deu início a no sábado um abaixo-assinado no qual classifica a nota técnica como “uma vasta lista de estultices” que “transgride os princípios da boa ciência”. Na manhã de hoje, o documento já ultrapassava 50 mil assinaturas. (Estadão)

Enquanto o Ministério da Saúde briga com a ciência, a covid-19 segue fazendo estragos. No domingo, quando normalmente há subnotificação, foram registrados 84.230 novos casos da doença, resultando numa média móvel de 148.212, o sexto recorde consecutivo, com alta de 309% em relação ao período anterior. Também ontem 166 pessoas morreram de covid-19, com média móvel de 292, a maior desde 1º de novembro, com alta de 129%. (g1)

As mortes só não estão num patamar, mais elevado por conta das vacinas, mas muitos ainda resistem a tomá-las. No Rio, 90% dos internados por covid-19 não completaram o esquema vacinal, e 38% não tomaram nenhuma dose. “O momento acaba despertando uma mistura de frustração e tristeza por vermos vidas sendo perdidas e pacientes em estado grave que poderiam não estar nessa situação se tivessem aceitado a vacinação”, diz Roberto Rangel, diretor médico do Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, referência na cidade. (BBC Brasil)

E ainda há os que estão expostos à doença por não poderem ser vacinados. Dados do próprio Ministério da Saúde mostram que o número de mortes de crianças de zero a quatro anos no Brasil desde o início da pandemia, 1.220, é quase quatro vezes maior que os 324 entre cinco e 11 anos. (Folha)

O Papa Francisco fez ontem um movimento importante para deixar a Igreja Católica mais inclusiva. Pela primeira vez, ele atribui ministérios leigos de Leitorado e Catequismo a mulheres, seis leitoras e três catequistas. A mudança ajuda a formalizar a situação de mulheres que exercem funções na Igreja em lugares remotos como a Amazônia, onde há escassez de padres. Também impede que bispos conservadores as impeçam de exercer esses cargos. Francisco criticou aqueles que precisam de regulamentos rígidos e “mais regras” para encontrar Deus. (CNN Brasil)

Meio em vídeo. Um artigo do antropólogo Antonio Risério na Ilustríssima, da Folha de S.Paulo reacendeu polêmicas como racismo, “racismo reverso”, identitarismo e cultura do cancelamento. Pedro Doria e Cora Rónai debatem (e não concordam em tudo) a reação que o texto provocou. (YouTube)

Cultura

Vivo estivesse, Tom Jobim (1927-1994) completaria amanhã 95 anos. Para comemorar a data, o Film&Arts exibirá, às 21h30, o primeiro episódio da série documental Bossa Nova, narrada por Daniel Jobim, neto do maestro. Além de depoimentos e imagens, a série traz artistas de diversas gerações relendo a obra de Tom. Os outros 12 episódios serão exibidos aos domingos, às 20h30, a partir de 6 de fevereiro. Outro destaque da semana, agora no streaming é a novela portuguesa Ouro Verde (trailer), que ganhou o Emmy internacional e estreia hoje na Globoplay. A trama, que tem diversos atores brasileiros, envolve conflitos de terras na Amazônia. Quem quer rir pode se preparar para Depois da Festa (trailer), que chega à Apple TV+ na sexta. Confira as principais estreias na TV. (Globo)

E por falar em séries… A Globoplay recebe em fevereiro os cinco primeiros episódios de Guerreiros do Sol, uma história livremente inspirada no amor de Lampião e Maria Bonita, o mais famoso casal do cangaço, mortos pela polícia em 1938. São 30 episódios, escritos por uma equipe de todo o Brasil, sob a batuta de George Moura e Sérgio Goldenberg, que também preparam uma “série-novela” de 50 capítulos baseada em quatro peças de Nelson Rodrigues. (Folha)

Um dos principais cérebros por trás da Semana de Arte Moderna de 1922, o poeta, escritor e dramaturgo Oswald de Andrade (1890-1954) é, consequentemente, centro das atenções no centenário do evento, com pelo menos três livros chegando às prateleiras. Obra Incompleta resgata, como o nome indica, quase toda a produção literária do artista, dividida em dois volumes. Segundo o crítico Jorge Schwartz, coordenador da edição, Oswald não pensava na posteridade, não organizava e guardava seus escritos. Daí o segundo livro, Diário Confessional, organizado pelo também crítico Manuel da Costa Pinto, trazer anotações esparsas e esboços de textos, em especial dos últimos seis anos do escritor, marcados por dificuldades financeiras. Por fim, a pesquisadora Carolina Casarin assina O Guarda-Roupa Modernista, mostrando como Oswald e a pintora Tarsila do Amaral, um de seus muitos relacionamentos, fizeram da própria moda um manifesto modernista. (Estadão)

Para ler com calma. Em documentário, a BBC esmiuça um dos mais emblemáticos furtos de arte deste século. Em 2002, numa operação rápida e aparentemente bem planejada, dois homens levaram menos de quatro minutos para roubar dois quadros do Museu Van Gogh, em Amsterdã. Embora escolhidas ao acaso, eram peças significativas: a primeira pintura a óleo do artista holandês e uma cena na frente da igreja na qual seu pai fora pastor. Um erro banal de um dos assaltantes levou a sua rápida prisão, mas passou-se mais de uma década até que, na delação de um mafioso italiano, os quadros de Van Gogh fossem recuperados. (BBC Brasil)

Cotidiano Digital

E o WhatsApp deve implementar a autenticação de dois fatores para o aplicativo em desktops. A novidade promete mais segurança para os usuários ao incluir um código numérico para ter acesso ao serviço em um computador, seja ao usar o serviço em aplicativo no PC ou versão web. O método insere uma camada extra de senha, podendo até prevenir uma provável invasão na conta. (Olhar digital)

A plataforma também testa uma nova ferramenta que permite migrar o histórico de conversas entre iOS e Android. (Olhar Digital)

Para ler com calma. No que depender de Mark Zuckerberg e outros, o futuro está no Metaverso, uma realidade virtual no qual as pessoas vão interagir em praticamente todos os aspectos sem as limitações impostas pelo mundo físico. Isso desperta questões filosóficas profundas sobre o que é realidade, mas também preocupações aparentemente prosaicas. Por exemplo, o que vestir? O criador do Facebook apresentou um mundo onde poderemos nos expressar de “maneiras novas, divertidas e completamente imersivas” representado por um avatar que era apenas uma versão mais magra dele mesmo. “É sério, Zuck? Você podia vestir QUALQUER COISA e escolheu isso?”, reclamou uma seguidora no Twitter. Grifes já anunciam coleções para serem usadas no mundo virtual, mas será que teremos coragem de ir além de nossa zona de conforto estilística? (New York Times)

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